O reflexo de quem somos no trabalho autoral

No último domingo tive a oportunidade de visitar a exposição 50 Anos de Realismo no CCBB de São Paulo. Até criei uma hashtag pra essas visitas que faço e que, quase sempre, acontecem aos domingos, a #domingonomuseu. Eu sou suspeita pra falar sobre isso porque realmente gosto muito de visitar museus, tanto no Brasil quanto fora daqui. É um dos meus passeios preferidos. Seja pra apreciar a arquitetura ou as exposições mesmo. Nem sempre as exposições me agradam, mas essa, em especial, mereceu até este artigo aqui, afinal, falar de arte é falar de trabalho autoral!

Vamos começar do começo. No sábado anterior à exposição, eu dei um workshop sobre marketing de influência para marcas e influenciadores e um dos assuntos que abordei foi a dificuldade de escolher e seguir um nicho neste trabalho, e também de encontrar uma identidade, algo que seja único e faça você se destacar na multidão.

O fato é que somos quem somos muito por conta da nossa bagagem, daquilo que vivemos ao longo da vida, de tudo que consumimos, estudamos e compartilhamos. Essa exposição ilustrou isso de forma bastante clara pra mim. Cada artista tinha uma peculiaridade, sua personalidade ali expressa em forma de arte. A maioria trabalhava com tinta a óleo sobre tela, mas alguns se diferenciavam justamente por optarem em trabalhar com outros materiais, como tinta acrílica sobre alumínio e madeira, por exemplo.

Mas o que mais me chamou a atenção foi que o conteúdo que cada artista pintava era único e muito tinha a ver com suas histórias de vida. As obras de John Salt por exemplo, retratavam carros abandonados e trailers americanos. Já as aquarelas de Ralph Goings, retratavam cenas e objetos do cotidiano americano, como lanchonetes e embalagens de ketchup e mostarda.

Além das esculturas do brasileiro e andreense Giovani Caramello, que me deram um orgulho danado, as que eu mais gostei e mais me impressionaram foram as ondas quebrando de Antonis Titakis, um artista que foi criado em Creta (!) rodeado pelas águas do mar e os retratos hiper-realistas de Graig Wylie, do Zimbábue. Percebem como o ambiente e os caminhos de cada artista interferem diretamente no resultado de suas criações!? Isso acontece o tempo todo e com todo mundo. Somos o reflexo daquilo que vivemos ao longo dos anos, da junção das nossas experiências de vida, de como reagimos a cada situação e do que levamos como memória afetiva.

Outro exemplo claro disso é o artista Ben Johnson, com suas pinturas de grandes dimensões arquitetônicas e extremamente alinhadas e bem construídas. Quando me deparei com as obras dele, antes mesmo de ler as legendas, eu tinha a certeza de que tinham sido feitas por um inglês.

Claro que recomendo a exposição pra todo mundo que está lendo este artigo, ela vai até 14 de Janeiro de 2019 e fica no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro de São Paulo. Mas gostaria de propor aqui um exercício pra quem for visitar as cerca de 100 obras expostas: vá com o olhar aberto para descobrir a identidade e a personalidade de cada artista, tente adivinhar, antes mesmo de ler as legendas, o que aquele cara tem de diferente, o que você percebe como único em cada conjunto de obras. Vai ser bem mais divertido, eu garanto!

E pra quem está buscando encontrar sua própria identidade ou ter voz na internet, recomendo seguir os três “S” do marketing digital, carinhosamente listados abaixo por mim: saber, sentir e suar!

  1. Saber. Escolha falar sobre aquilo que você tem bastante interesse e conhecimento. Saiba sobre o conteúdo que você quer compartilhar. Pesquise na internet, leia livros sobre o assunto e faça cursos, muitos cursos. Aprender com quem já sabe é enriquecedor. Só assim você será considerado autoridade no assunto!
  2. Sentir. Saiba sentir e ouvir. Seus seguidores são a melhor resposta para as suas dúvidas. Eles estão ali porque se interessam pelo conteúdo que você compartilha, então ninguém melhor do que eles para dizer o que está de mais e o que está faltando. Leia comentários, responda o máximo de pessoas que conseguir e preste atenção no que eles estão te dando de feedback.
  3. Suar. E por último, mas não menos importante, coloque essa camisa pra suar! Ninguém consegue nada se não trabalhar duro, se não correr atrás e se não sair da zona de conforto. Se desafie, se proponha a fazer coisas diferentes. Crie algo que inspire outras pessoas. O reconhecimento é a melhor parte de empreender, seja na sua marca pessoal ou na sua empresa.

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